Óculos de Lentes Falsas - Harry Styles

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(SeuNome), filha dos Sr. e Sra. (SeuSobrenome) cujo não conheço tão bem. Apenas sei seu nome por ser chamada todos os dias pelo pai por motivo de antes de sair, esquecer seu beijo de bom dia. E seus sobrenomes estão estampados na caixa de correio. Todo dia nos encontrávamos no momento em que saímos de casa para ir para a escola, ela com seu uniforme de escola particular e eu com meu sweater azul. Um bom dia era soado de cada um e depois cada um para o seu lado. Sempre quis conhecê-la bem mais que um "bom dia", mas ela não demonstrava tanto interesse. Fui para a escola e lá estavam os últimos avisos sobre o baile que seria em algumas semanas, acho até que é só perda de tempo. Se eu tivesse um par, não escolheria vir para cá e sim ficar em casa. Não pense que sou um antissocial, tenho amigos, são do clube de xadrez, mas tenho. Também tinha três convites para o baile das nerds do clube do livro, mas eu realmente não quero ir a essa festa boba. Depois das aulas voltei para casa e fui para o meu quarto deitar, eu sempre descansava depois das aulas. Não foi tão difícil pegar no sono já que o silêncio estava a meu favor...
- Marcel - minha mãe bateu na porta - Tem gente na porta meu amor. 
- Mãe, já disse. Não vou para o baile. 
- Não é convite, é uma garota que eu já tinha visto por aqui, só não sei onde. 
- Tudo bem, já estou descendo. 
Quando desci, minha mãe estava conversando com ela, mas saiu quando me avistou. 
- (SeuNome)? - Disse eu surpreso. 
- Oi, eu vim entregar umas cartas que foram parar na minha caixa de correio por engano. 
- Claro, obrigado. - Peguei as cartas - Sem querer ser indelicado, mas por que não as entregou para minha mãe? 
- Queria falar com você apenas...
- Ah sim, o que foi? 
- Bom, se importa de vir comigo? 
- Não, aonde vamos? - Disse eu já saindo de casa e fechando a porta-
- No meu quintal. 
Fomos até o lugar e ela me pediu para sentarmos em um banco que estava lá. 
- Marcel, preciso te pedir uma coisa. Só não me chame de boba...
- Eu não faria isso, pode pedir. 
- Quer ser meu amigo? 
- Como assim? Não entendo, você estuda na melhor escola particular da região e não tem amigos?
- São todos chatos e mesquinhos. 
- Mas para que pedir isso a mim? Tem tanta gente melhor por aí...
- Você fala com sinceridade e isso é o bastante para me fazer pensar que seria um ótimo amigo.
- Obrigado. - Sorri - Você também aparenta ser uma ótima amiga. 
- Obrigada. 
E assim começou a nossa amizade. 
Uma semana e meia de passaram, já temos intimidade o bastante para ir um para a casa do outro, confessar segredos e pedir conselhos. No momento conversávamos sentados no chão do meu quarto sobre o término de seu namoro.
- Ele me mandou fazer uma coisa tão idiota! - Ela dizia indignada. 
- O que seria? 
- Escolher entre você ou ele...
- Você não...?
- É, eu escolhi você. 
- Você é maluca? Escolher uma amizade de uma semana em vez de um namoro. Eu entenderia se não me escolhesse. - Mentira - Não ficaria tão chateado - mentira de novo.
- Mas eu realmente prefiro você. Você é muito fofo e me escuta. 
Fiquei feliz ao ouvir aquilo.
- Marcel, você é o melhor amigo que eu tive em anos -  me abraçou forte.
Eu paralisei. Ela nunca tinha me abraçado. Eu estava tão preocupado em não interromper o seu toque que mal respirava. Depois que nos separamos, ela me olhou.
- Chega de falar sobre meu término, vamos falar de coisas boas.
- Por exemplo...?
- O fato dos meus pais terem me deixado ir para a sua escola. - Sorriu. Ela sempre pedia, mas eles só diziam que iriam pensar. 
- Isso é ótimo, não, melhor que ótimo! - Sorri, estava muito feliz. 
Alguns dias depois, no seu primeiro dia de aula, fomos juntos e ela não parava de dizer sobre o quanto estava feliz por não usar uniforme. Uma coisa bem engraçada de se ouvir. Chegamos na escola e todos me olhavam assustados por eu estar com uma garota bonita e principalmente por ela estar agarrada no meu braço direito por causa do nervosismo. 
- Aqui é bem barulhento, igual a escola pública onde eu estudei. - Disse ela - Já gostei. 
- Já estudou em uma escola pública? - Falei incrédulo.
- Já, sou do Brasil esqueceu. 
- Ah sim.
A minoria de suas aulas eram junto com a minha, nos encontrávamos pouco. 
Oito horas da noite e estávamos nós dois na pequena biblioteca de minha casa estudando para a prova de geografia, quando ela me pergunta uma coisa que achei que ninguém notaria. 
- Porque você força sua voz? 
- O que? - Fingi desentendimento.
- Você força sua voz para ficar mais fina.
- Não sei do que você está falando.
- Eu sei que você sabe do que estou falando. Marcel, fala com a sua voz de verdade. - Ele negou com a cabeça - Marcel! 
- Está! - Fechei os olhos - Essa é a minha voz. - Abri os olhos. 
Ela arregalou os olhos e me pareceu bem assustada. 
- O que foi? (SeuApelido)...?
- Marcel, tá me zoando? - Ela finalmente pronunciou-
- O que eu fiz?
- Essa é a sua voz? - Continuou assustada-
- É, porque?  
- Cara, que voz de homem é essa?! De onde você tirou isso aí? 
Eu não sei porque, mas aquilo havia soado engraçado, então comecei a rir. 
- (SeuApelido) - continuei rindo - É a minha voz, não tirei de lugar nenhum.
- Marcel, tem mais alguma coisa que eu não saiba sobre você?
- Três palavras, óculos sem grau. 
- O que? Você usa isso para que? 
- Não sei, achei que combinaria com a roupa. 
- Realmente - ela riu-
Hoje ela dormiria na minha casa, era a primeira vez que ela faria isso. Amanhã irá ser sábado e ela disse que queria dormir comigo, então eu não achei problema. 
- Crianças... - minha mãe nos chamou, sempre nos chama assim.
- Oi? - Oi? - Dissemos juntos. 
Minha mãe arregalou os olhos, ela sabia que eu alterava minha voz. 
- Marcel... Sua voz...
- Ah, (SeuNome) queria ver como ela é.
- Ah, tudo bem então. - Ela parecia surpresa e assustada, mas não pela minha voz e eu sabia o porquê - Vão dormir, está tarde. Já estou indo, boa noite. 
Ela fechou a porta da biblioteca e foi dormir. 
- Marcel, se ela sabia, porque ficou daquele jeito?
- Não convém falar sobre isso, vamos dormir. 
Subimos para o meu quarto. 
-  Bom, você fica com a minha cama e eu durmo no sofá mesmo. - Apontei para o sofá do meu quarto. 
-  O que? Nem pensar. Quando eu disse que iria dormir com você, era junto com você mesmo. 
- Na mesma cama? 
- É. - ela fez como se dissesse um "óbvio"
- Tudo bem então, vou tomar um banho e já volto. Fique à vontade.
Peguei uma toalha e me dirigi ao banheiro do corredor. Tomei meu banho, lavei meu cabelo e sequei o mesmo depois de sair do chuveiro. Eu não costumava penteá-lo quando ia dormir, então o deixei bagunçado. Sai do banheiro e voltei ao meu quarto apenas de bermuda. Entrei no meu quarto e ela estava sentada na cama lendo um livro cujo o nome era "As Aventuras do Caça-Feitiço -  O Aprendiz". Ela me viu e teve uma reação engraçada ao ver meu cabelo, ou melhor, ao me ver. 
- Estou tão feio assim? - Ri-
- Não, você está... ótimo - continuou com aquela cara -
- (SeuNome), que cara é essa? 
- Só uma coisa. Além de ter voz de homem também tem corpo e cabelo de homem? 
- Não sei se me ofendo ou encaro isso como um elogio, porque né...
- Marcel... - se levantou da cama e veio até onde eu estava - eu quis dizer que você está lindo...
- Não precisa zoar também. 
- Estou falando sério - chegou mais perto nos deixando há 30cm de distância e olhava fundo nos meus olhos - Você é lindo. 
Depois de falar aquilo se deitou na cama e ficou me olhando. 
- (SeuApelido), que tipo de pessoa fica "linda" com o cabelo zoado?
- Meus últimos namorados. 
- Como assim "últimos namorados"? - Ela está me comparando com eles?
- Eles eram sempre assim, cabelo bagunçado, calça jeans colada, jaqueta, essas coisas. 
- Tudo bem, vamos dormir - falei um pouco bravo-
Eu me recusava a aceitar que estava com ciúmes, não admitiria nem a mim mesmo. Deitei virado ao lado oposto ao dela, não iria fazer nenhum tipo de contato visual. 
-  Marcel...? - Ela me chamou rouca devido ao sono. 
- Diga...
- Vira para cá? - Fui obrigado a virar - Agora me abraça? - Sua voz estava manhosa e rouca. 
- Ok. - Assim o fiz, a abracei.
E assim dormimos. 
Acordei mais cedo que todos e me levantei. Durante a noite pensei no fato e ela me comparar com os namorados dela não é tão ruim... Eu posso me tornar um cara apresentável para ela se eu quiser, e eu quero. Quando ela acordou, tomamos o café e eu a convenci a ir até o shopping comigo. Compramos várias e diversas roupas, eu não sei se aquilo me deixaria apresentável, mas não custava tentar. Estávamos na praça de alimentação, comíamos um hambúrguer gigante e de repente ela me fez uma pergunta que é considerada indecente.
- Você é virgem? 
Acabei engasgando com o hambúrguer sem perceber. 
- Claro que não! - Eu não estava mentido - Já fiz isso tantas vezes que já perdi as cont... Espera, informação de mais.
- Fala sério! - Ela riu - Você parece ser tão tímido! 
- Você quem pensa, sou muito bom no que faço.
- Nem parece que estou ouvindo isso de você - continuou rindo - um garoto de óculos enormes, sweater marrom, calças e sapatos sociais. Mas isso é sério Marcel? 
- É, eu juro.
- Então é inútil eu perguntar se você já beijou alguém na vida, não é? 
- Com certeza. 
Depois daquela conversa, eu fiquei imaginando coisas não tão certas entre mim e ela. Voltamos para casa, ela para dela e eu para minha. Fui direto para o banheiro e fiquei pensando em várias formas de deixar meu cabelo, e depois de horas e várias tentativas, acertei uma. 
Na segunda-feira, acordei mais cedo que o normal e me arrumei. Não estava reconhecendo a mim mesmo no espelho. Fui até a casa dela como faço todos os dias letivos, bati na porta e sua mãe abriu. 
- Bom dia senhor, o que deseja? 
- Sra. (SeuSobrenome), vim buscar a (SeuNome)... - falei com uma cara óbvia. 
Ela entrou para chamar a filha e eu pude ouvir parte de uma conversa. “Arrumou outro amigo (SeuNome)?". Apenas pude rir e esperar (SeuNome) chegar. E quando menos percebi ela estava parada na porta me olhando. 
- Oi, vamos?
Ela parecia não acreditar que era eu. A única coisa em que eu não havia mudado, era que ainda estava com os óculos. Fomos para a escola como todos os dias, agarrados. Cheguei na escola e as pessoas me olhavam assustados. Eu apenas sorria para elas e continuava andando. 
Primeira aula: História. 
Essa não seria uma das aulas que coincidem com as de (SeuNome), as únicas são: Geografia e Biologia. 
Eu entrei na sala, havia apenas uma garota, Angelina. Era muito inteligente, talvez até mais que eu. Sentei na minha carteira e pude assisti-la vir até a mesma e se sentar em cima da mesa. 
- Oi Marcel... - mordeu o lábio.
- Oi - disse olhando para o lado oposto de onde ela se encontrava. 
- Sua voz mudou - tentou me fazer olhá-la, mas eu virei - Que isso gato, não precisa me evitar. Não vou fazer nada que você não queira. 
- No momento, não te quero aqui.
- Mas você vai querer...
- Até esse dia chegar, você pode esperar sentada no seu lugar. 
Ela saiu, eu nunca achei que trataria alguém com tanta grosseria. Durante a aula, quando todos chegaram, fiquei sendo assediado até o intervalo. Confesso que gostei dessa atenção toda. Me encontrei com (SeuNome) em nossa mesa e ela parecia incomodada com algo. 
- Que cara é essa?
- Aquelas vagabundas da minha sala não me deixaram em paz por sua causa! 
- Minha causa? O que eu fiz?
- Elas não param de me perguntar: "Ele beija bem?" "Tem pegada?" "E na cama?". Puta merda, como é que eu vou saber!? Não sou nenhuma secretária pessoal!
- Então elas gostam de mim? Nunca achei isso possível. 
- Bando de cachorra - falou baixo mas escutei. 
- Você não está bem, nunca xingou ninguém dessa forma. 
- Perto de você! Sou brasileira, paciência não está no meu sangue. 
- Então as brasileiras são assim como você? 
- Seu estoque de perguntas idiotas está cheio hoje, não é? 
Eu não estava entendendo o motivo de tanta grosseria. O sinal tocou e teríamos aula juntos, Geografia. Hoje seria a prova, e a fizemos. A aula inteira se passava e eu não deixava de ver algumas piscadelas que as garotas me davam. Foi assim durante toda semana. O baile seria na sexta, hoje era quinta. Eu havia recebido um convite de Angelina e resolvi aceitar. Eu não via a hora de contar isso para (SeuNome) no intervalo.
(SeuNome) POV
Eu estava cansada de todas aquelas garotas fingindo serem minhas amigas apenas por Marcel. Iria conversar com ele no intervalo. O sinal bateu avisando que eu já poderia sair da sala e assim fiz. Quando vi Marcel, ele parecia ansioso. Será que ele finalmente vai se tocar e me chamar para o baile? Fui até ele e nos sentamos. 
- Pode dizer Marcel, que ansiedade é essa. 
- Tenho que falar com você. - Sorriu e eu automaticamente fiz o mesmo. 
- Sobre o que? 
- Sobre o baile. - Meu coração acelerou - Angelina me chamou e eu aceitei.
- Você o que? - Olhei incrédula. 
- Aceitei o pedido dela. 
- Só um minuto... você aceitou o convite da garota que te zoa desde que chegou aqui? Aceitou o convite da menina que sempre ria quando você se atrapalhava e deixava seus papéis cair? O convite de quem sempre jogou na sua cara que você nunca seria nada na vida? Quem é você? O que fez com o meu nerd favorito? - Olhei com decepção. 
- (SeuNome), que história é ess...
- O que você fez com o meu Marcel? O Marcel que eu amava?
- Amava? 
- Amava. Mas ele não existe mais, não é? Você quebrou ele. Esses óculos de lentes falsas são mais verdadeiros do que você se tornou agora. 
- Não precisa exagerar, Angelina já me pediu desculpas na terça feira. 
- Então pergunte às pessoas da aula de Matemática o que aconteceu na quarta e a detenção de três horas depois da aula que eu levei. - O olhei mais séria do que já fiz em toda minha vida. 
- O que você fez?! Bateu nela? E me pergunta "Onde está o meu Marcel?". Eu é quem pergunto, cadê a (SeuNome)? Você não era assim! Onde foi parar a verdadeira (SeuApelido)?
- Ela deve estar por aí tentando resgatar o pouquinho do Marcel que restou em você. Ah, espera... - me aproximei e tirei seus óculos - Pronto, ela já desistiu. - Coloquei os óculos - não restou mais nada.
Sai da presença dele. Fui embora, apenas sem me importar se faltavam ou não três aulas para cumprir antes de voltar para casa. Cheguei em casa e fui para o meu quarto, direto para o espelho para ser mais específica. Me olhei e vi aqueles óculos ridiculamente enormes que ficavam perfeitos nele. Sei lá, o que aconteceu? Por que ele me ignorou tanto essa semana? Será que é culpa da Angelina? Falando nessa garota, deve ter deixado marca o soco que dei dela, provavelmente super roxo.
FLASHBACK
Eu estava no início da aula de Matemática, não estava nem aí para nada, apenas pensando em como chamaria Marcel para o baile. O professor Luigi não estava lá tão diferente de mim, desligado do mundo. O mesmo deu uma desculpa qualquer e saiu da sala, o que fez começar a tal guerra de papéis enquanto o professor se ausentava. Eu não me importava, eram só papéis. Angelina, que estava na mesma sala, fez questão de sentar na cadeira ao lado da minha e ficar me olhando em deboche. Não hesitei em ser grossa. 
- O que é que você quer agora? Aqui não tem grama para você pastar.
- Calma queridinha. Só quero saber como anda a sua bela amizade com o Marcel... - fingiu interesse. 
- Não te interessa, e mesmo que sim, eu não contaria. 
- Algo me diz que a princesinha está chateada. O que foi? Não se conforma do seu "best" agora ser o mais badalado da escola? - Fez biquinho.
- Cala a sua boca Barbie, ninguém te quer aqui. Vai procurar o seu livro sua nerd, isso se ele não fugiu de você igual a metade da escola. 
- Bom, não mude de assunto. Eu e você, ou melhor, o mundo inteiro sabe que o Marcel é e sempre será um PERDEDOR. Não importa o visual dele, ou o cabelo, ele sempre vai servir para ser zoado, talvez usado. Você sabe o que eu quero dele, e também sabe que a cama do quarto dele está envolvida em tudo isso. Então saiba que se você está afim dele, vai ser apenas mais uma perdedora no mundo. Você e aquele nerd INÚTIL. 
Aquela última palavra me fez levantar e dar o tapa mais forte que eu já tinha dado em toda vida. Minha mão chegou a arder por falta de costume, mas valeu a pena. 
- Acredito que agora você não seja tão capaz de repetir isso. - Apenas a alertei. 
- Isso o que? INÚTIL? 
Se eu não era brasileira, eu havia me tornado ali. Eu praticamente voei nela a fazendo cair no chão e começamos a rolar. 
- REPETE O QUE VOCÊ DISSE!! - Gritei vermelha de raiva. 
- INÚTIL! 
Não sei como, mas virei e parei sentada em cima dela com a mesma entre as pernas e comecei a estapear aquele rosto maquiado. 
- É MELHOR NÃO SE ATREVER A FALAR DELE A PARTIR DE AGORA! - Nessa altura todos estavam parados observando aquela cena. 
Depois que sai de cima dela, ela levantou com o rosto todo vermelho e arranhado e se virou de costas e disse bem alto. 
- Você é uma tonta, acha que me batendo vai me impedir de ser melhor que você e ter coragem para o chamar para o baile. BURRA! - Começou a andar e rir. 
Eu andei rápido até ela e a dei um murro nas costas que provavelmente dava para ouvir do andar de cima. Comecei a bater nela mais uma vez, porém com mais intensidade e de todos os jeitos que aprendi na vida. Ela me batia também, porém mal conseguia, pois, minha força era o bastante para segurá-la e batê-la. Um braço forte segurou minha cintura me puxando para trás com força para me separar. Pelo cheiro era o professor que havia voltado. 
- Senhorita (SeuSobrenome)! Está maluca? 
- ME SOLTA PARA EU PODER ACABAR COM A RAÇA DELA! 
- Me acompanhe agora para a sala da direção! - Falou bravo, porém eu ainda tentava me soltar para bater nela. 
FLASHBACK
Meus pais nem sabem o verdadeiro motivo de eu chegar depois do combinado, eles realmente acham que eu estava na casa de Marcel. Ouvi a campainha tocar e eu iria atender, mas vi que minha mãe já tinha recebido e era a mãe de Marcel. Elas sentaram no sofá parecendo que iriam fofocar e eu me escondi para ouvir. 
- Então (NomeMãe), já está desconfiando de alguma coisa? 
- Não sei, ainda duvido. 
- Por favor né, nós duas suspeitamos que eles já fizeram... você sabe. 
- Mas seu filho se protegeu?
- Marcel é responsável.
- Ótimo. Mas porque você suspeita que já tiveram? 
- Ah, eles vivem naquele quarto e já ouvi alguns barulhos...
Ai meu Deus, elas realmente estão achando isso? Nem vale a pena discutir. Aliás, ninguém sabe que eu estou em casa. Voltei para o meu quarto e fui até uma parte do guarda-roupa peguei o meu skate, que admito que estava guardado há muito tempo, me vesti e sai para a rua pela porta dos fundos. Eu tinha saudades daquele vento batendo no rosto há tempos, aquela sensação de liberdade que apenas o skate trazia. Nunca me senti tão bem em dias. Depois do meu longo passeio que durou horas, voltei para casa. Fiquei lá no meu quarto, na janela de frente para a rua e percebo Marcel chegar em sua casa. Ele não parecia feliz para quem havia sido convidado para o baile por Angelina Marine. Eu apenas o observava por trás da minha cortina fina e pouco transparente. Ele girou a maçaneta da porta e parou, virou para trás em direção à minha casa e ficou olhando. Eu sabia que ele não estava me vendo, mas não poderia confiar nessa hipótese 100%. Ele continuava olhando em direção ao meu quarto, eu me sentia estranha pois realmente parecia que ele estava me vendo ali. Sabe aquela vontade de chorar? Aquela que você sente que perdeu um amigo que duraria a vida inteira? Então, eu estava com ela. Quando percebi que ele havia entrado, me deitei e comecei a pensar nele. Olhei uma foto recente nossa, e comecei a lembrar do trabalho em que levei para tirá-la.
FLASHBACK
- Marcel, cuidado! - Eu disse enquanto ele tropeçava no balde de tinta que usávamos para pintar a casinha do meu cachorro que estava no Pet. 
- Ops. - Ele disse com aquela cara desajeitada -
- Tudo bem - ri e o ajudei a levantar.
- Me desculpe - pegou o balde de tinta em que havia tropeçado - Eu limpo isso - disse, porém tropeçou em outro balde jogando várias cores de tinta em mim.
A reação que ele teve foi me olhar todo assustado.
- Marcel! - Comecei a rir. 
- Aí, eu sou um idiota! - Continuou com os olhos arregalados.
- Então eu também sou. Somos amigos, e só um idiota aguenta o outro. - Rimos - vamos tirar uma foto? 
- Nem pensar! - Deu um passo para trás. 
- Ah, porque? - Fiz biquinho. 
- (SeuApelido), o que eu vejo no espelho já é uma ótima resposta. 
- Que isso? Você é muito fofo e lindo. Anda logo, vem cá! - Peguei meu celular. 
- Não! 
- PAI VEM AQUI! - Chamei meu pai para me ajudar. 
- O que você quer? - Ele apareceu na porta. 
- Tira umas fotos da nossa palhaçada. - Eu disse enquanto agarrava Marcel para não escapar. 
- Para que? E porque estão sujos de tinta? - Ele me olhou confuso. 
- Só tira pai! - Joguei o celular na mão dele e ele tirou várias fotos. 
FLASHBACK
Rimos bastante naquela tarde. Meu pai não se importava com Marcel, sabia que eu estava nas mãos de um bom rapaz. Aquelas fotos ficaram lindas, eu não me esquecerei daquela tarde nem com uma amnésia absurda. Enquanto eu lembrava de tudo, lágrimas vieram sem querer. 
- Eu não acredito... - limpei as lágrimas - ele conseguiu me fazer chorar por ele, que droga.
Marcel POV
Brigamos pela primeira vez, nem mesmo eu consigo acreditar. Eu achei que ela gostaria de mim assim, como os bad boys que ela namorava. Provavelmente ela está se fazendo de difícil. O que eu fiz, e que história era aquela de sentir falta do Marcel? Quem sente falta dele? Aff. Hoje eu estava voltando da escola, senti a falta da companhia dela, admito. Cheguei em casa e antes de abrir a porta senti que estava sendo observado. Olhei automaticamente para a janela dela, onde pude ver sua perfeita silhueta sentada atrás da cortina. Ela estava com meus óculos, o que a deixava linda, de uma forma natural, porém não natural. Entrei para dentro e fui para o meu quarto. Olhei para nossa foto, que estava em uma gigante moldura na frente de minha cama e parei para observá-la. Ela sempre consegue o que quer, lembro perfeitamente. Dia 15 de agosto, havíamos nos conhecido há quatro dias, 17:28 da tarde, terça-feira. Era impossível não lembrar já que foi o dia que quase nos beijamos sem querer, pelo menos eu queria. Faltava pouco para nos tocarmos quando ouço minha mãe me chamar pois estava atrasado para o curso avançado de Matemática. A vez em que eu odiei aquela droga de curso com todas as minhas forças. Se eu gosto dela? Talvez, pode ser... Ela foi a única que me amou dessa forma não interesseira, e segundo ela, não ama mais. Eu não acredito que a forma de que ela "me amou" seja da forma que eu gostaria. Eu estava com desejo enorme de ir até a casa dela para conversar como sempre fazíamos, mas se eu o fizesse levaria um soco. 
Dia do Baile
Eu estou voltando da escola agora, super animado para o baile. (SeuNome) foi na aula, o que eu achei que não aconteceria. Ela ainda permanecia com os meus óculos, na aula de Geografia na qual tivemos juntos, ela parecia me tratar como um desconhecido e quando o professor Maximiliano nos mandou fazer duplas, ela simplesmente foi ao lado do Josh, um garoto que tinha reputação de melhor jogador de videogame na escola. Tentei não levar em conta como provocação, mas meu ciúme me fazia querer matar o Josh cruelmente por se atrever a fazer o trabalho com ela. Cheguei em casa e fui fazer tudo o que tinha para fazer antes de sair para o baile. Ouvi gritos e risadas e eu sabia que era de (SeuApelido) pois era uma risada gostosa. Fui olhar pela minha janela e a vi brincando com Buzz, seu cachorro que estava doente no veterinário há semanas. Ele havia tido alta. Era um enorme Golden Retriever que latia sem parar. Ela se deitou no chão em sinal de cansaço e ele fez o mesmo ao seu lado, ela o beijou no nariz e eu literalmente considerei aquela a cena mais fofa que ela já vez. Fechei a janela e continuei me arrumando, porém pensando nela. 
Quando terminei de me cuidar, fui sair para seguir ao baile e a vi deitada em seu quarto da seguinte forma: assistindo TV com o quarto escuro, usava o pijama (o meu blusão), um saco enorme de Doritos em mãos e uma garrafa de Coca Cola ao lado. Me bateu uma tristeza gigante e uma vontade enorme de deitar junto a ela em sua cama. Ignorei o sentimento e fui para o baile, no qual Angelina me esperava. Cheguei no mesmo e estava agitado, cheio de gente. Parecia um formigueiro de baladeiras. Avistei Angelina e ela veio até mim já na tentativa de um beijo, porém desviei educadamente. Nos sentamos e ela me ofereceu um whisky.
- Não bebo, obrigado.
- Apenas um gole vai...
- Realmente não pretendo beber obrigado.
Ela me levou para sentar em uma mesa, na qual eu percebia que só havia gente daquela turma de populares. 
- Olhem meninas, o meu par é melhor que os seus. - Percebi que todas sorriram falsas e começaram a fofocar sobre alguma coisa com Angelina. Depois de uns vinte minutos ali, ela se levantou e me levou para outro lugar: a pista de dança. 
- Angelina. - A parei - É que, sabe... Eu não sei dançar...
- E daí? Não quero saber, vamos dançar! - Bateu o pé e cruzou os braços. 
- Já disse que não sei! 
- Não interessa, você tem que dançar comigo! - Já estava a ponto de gritar. 
- Que tal a gente fazer outra coisa e depois a gente vem dançar?
- Tanto faz. Vamos ir até o bar? 
- Tudo bem.
Fomos até lá e ela pediu um whisky para ela. Em meu caso como nem pensaria em tocar em algo alcoólico, pedi disfarçadamente água com gás e corante. Por incrível que pareça eles tinham e eu não era o único a pedir aquilo. Olhei para o meu lado e vi Johan, um dos garotos do clube de xadrez. 
- E aí cara. - O cutuquei. 
- Ah, oi Marcel... - disse com indiferença na voz. 
- Que cara é essa? 
- Só vou dizer se você prometer me escutar e não ficar bravo. 
- Tudo bem, eu prometo. 
- Bom, você sabe o verdadeiro motivo de Angelina te trazer aqui, não é? 
- Claro, o baile. - Eu disse como um óbvio. 
- Não se faça de desentendido, a escola toda sabe que ela quer te levar para a cama. 
- Claro que não. 
- Eu ainda não vi, mas com certeza ela está te oferecendo bebidas a todo instante. Quer uma dica? - Não se finja de bêbado para ver no que vai dar.
- Não sei nã... - fui interrompido. 
- Porque está falando com esse perdedor Marcel?!
- Perdão senhorita. - Johan disse e riu em deboche - Pode ficar à vontade com o seu príncipe...
- Eca, sai. - Me puxou para a pista de dança - Agora podemos dançar em paz. 
- Não sei, estou um pouco tonto...
- Você está bêbado? - Sorriu com expectativa. 
- Claro que não!  -  enrolei as palavras e depois ri igual a um bêbado. 
- Ótimo, foi mais fácil que pensei. Vamos para minha casa. 
- O que? - Continuei fingindo - a festa está boa! - Comecei a dançar desajeitadamente conforme a música. 
- A festa vai continuar, mas em outro lugar. - Tentou me puxar. 
- Me deixa pegar só mais um whisky... 
Fui até o bar e o peguei, voltei para perto dela.
- Bebe logo isso para a gente ir! 
Fingi que ia beber, mas "sem querer" derrubei em seu vestido azul que manchou no mesmo instante. 
- Seu idiota! Olha o que você fez seu inútil, imprestável! 
- Só um inútil imprestável entende o outro e no momento estou te entendendo perfeitamente. - Falei com voz normal e sai de lá a deixando morrendo de raiva.
Cheguei na porta de casa e instintivamente olhei para a janela dela. Percebi que estava chorando ainda vendo um filme. Fui até a casa dela e entrei pelos fundos seguindo para o quarto dela. Antes de abrir, coloquei o ouvido na porta para escutar algo.
(SeuNome) POV
Eu não vi Marcel sair para o baile, e nem pretendia. Fui assistir um filme qualquer que achei no estoque de filmes românticos da locadora. Depois de um tempo eu já estava chorando. 
- Não acredita nele Jolie, ele não te ama! O amor não existe sua tonta, ninguém ama ninguém hoje em dia! Igual o meu caso, você ama a pessoa e ela te troca por uma Barbie girl! Tipo, eu estava disposta a tudo para proteger ele dela, ele pode parecer homem, mas ainda é o meu garoto sensível! Cara eu gosto dele, mas foi só ele mudar e todas as garotas do universo voaram nele. Jolie não! Não beija ele burra! Droga! 
Percebi que a porta se abria, e eu pensei que seria minha mãe que havia chegado do encontro com o papai, mas era Marcel.
- O que você quer aqui?! - Falei sem tentar esconder minhas lágrimas. 
- Vim te ver.
- Não quero você aqui, pode voltar!
- Mas eu quero ficar aqui com você e daqui ninguém me tira!
- Eu te odeio, sai!
- Como? - Riu - Você não me odeia (SeuApelido).
- Para de rir, eu te odeio sim! - Gritei. 
- Nem tentando. - Se aproximou da cama e se sentou.
- Sai daqui caramba! - Gritei de novo.
- Não. - Pulou em cima de mim me fazendo deitar. 
- Sai, você é gordo e pesado! Sai! - Fiquei me debatendo. 
- Ah não, eu gosto daqui. - Me abraçou e ainda deitados.
- Não importa, me solta!
- Só se você prometer me escutar...
- Tá eu prometo. - Me soltou. 
Ficou deitado do meu lado, sempre me olhando nos olhos. Eu não conseguia olhá-lo, era muito intimidador. 
- (SeuApelido) ... Quero te contar um segredo. 
- Fala...
- Se lembra que me disse sobre os seus exs namorados? 
- Vagamente...
- Bom, eu mudei de aparência pra me... parecer com eles. 
- E porque isso? Você era perfeito. - Me deitei em seu peito. 
- Eu queria te impressionar.
- Me impressionar? Não compreendo. 
- Eu queria te namorar! Sabe, eu amo você, só não queria te magoar. 
- Eu entendi, você amava. Eu tonta não percebi. 
- Não sua lerda, eu AMO você. 
- O que? - Tentei me levantar para olhar na cara dele, mas ele se escondia de vergonha - Marcel, olha para mim. 
Ele me encarou e percebi o rosto dele virar um tomate. 
- Desculpa. Se você não corresponde mais me perdoa e esquece tudo. Ai que droga, eu entendi errado, sou burro demais! Eu não tive a intenção de... - o interrompi com um beijo. 
Se era o certo ou não eu o fiz. Aquele beijo trazia várias sensações boas, principalmente o arrepio. Nosso beijo conseguiu durar mais de vinte segundos, um recorde de primeira. Quando terminei de beijá-lo, eu o olhei e seus olhos brilharam. - Quantos segundos? - O perguntei, sabia que ele havia contado. 
- 27. - Ri.
- Eu te amo sabia? E não é só como amigo. - O abracei. 
Depois daquele dia começamos a namorar, namorar sério. Ele resolveu que gostaria de continuar se vestindo "estilosamente" para todos verem que eu tinha um namorado gato. O melhor de quando saímos juntos, são suas crises de ciúmes. Sempre me beija quando tem a impressão de que há um homem me olhando. Até hoje não sei se isso é uma desculpa para me beijar a cada 10 segundos ou se realmente tem alguém olhando.

4 comentários:

  1. Oi, não sei bem de quando é esse imagine, mas queria dizer que é simplesmente lindo! Adorei, mesmo sendo Niall girl , nao teve como nao amar. Maravilhoso, e muito bem escrito. Parabéns
    JuliaGonçalves @juugb1

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  2. <3 amei *-* escreve mais pf *------------*

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Eu fico feliz quando vejo os comentários de vocês, isso me inspira! As vezes eu fico desanimada pra escrever porque parece que ninguém está lendo ou acompanhando as histórias. Então comente, eu realmente me importo com seus comentários! Obrigada :)x.