Niall POV
Estou em um lugar estranho sentado em uma cadeira, um cômodo nojento pra ser mais específico. Simplesmente não faço idéia do que aconteceu, eu só me lembro de ter ido deitado na minha cama ontem a noite e depois aparecer aqui. Ouvi passos firmes e de repente uma garota bonita apareceu na porta, ela usava uma roupa escura e colada com um salto preto.
_Horan, Niall James Horan... -pronunciou com uma voz rouca e perfeita-
_Sou eu.
_Achei que você tinha o sono mais leve, não achei que seria tão fácil te arrastar até aqui.
_Foi você?
_Prazer, agente 028.
_O que você quer de mim?
_Sem perguntas, apenas me siga -se virou pra sair-
_Não vou até me dizer quem é!
_Niall -ela continuava virada- não complique nossas vidas, sou apenas uma assassina. Não vou te matar, apenas se cooperar.
Aquilo me fez tremer por dentro.
_E o que você quer comigo?
_Levar você até uma fã, ela me contratou agora me deixa cumprir o meu trabalho que nós dois saímos bem dessa -começou a andar e eu a segui-
_Você parece aquela moça do filme, a viuva negra.
_Você não é o primeiro a dizer isso.
_Você anda o tempo todo com essa roupa? Essas armas todas não incomodam você andar?
_Dá pra calar a boca?
_Tudo bem.
Andamos, ou melhor subimos pro térreo da casa. Lá tinha um jatinho particular preto.
_Preto é a sua cor favorita?
_Não, os caras como eu são obrigados a usar essa cor mas com o tempo você se acostuma.
_Você pilota?
_Sim, mas eu tenho um piloto.
_Confia nele?
_Não.
_Então porque...
_Para de fazer perguntas! -se irritou-
Entramos no jato e partimos. O jato se mexia demais, nesse tempo de carreira eu nunca passei por nada assim.
_028, o que ta acontecendo, não sou nenhum mestre mas sei que tem algo de errado!
_E realmente tem, eu já volto -se levantou e andou até a cabine do piloto-
Porque ela desfila enquanto anda? E por que eu olhei? Ela faz de propósito ou sou eu? Enquanto as dúvidas inúteis vinham na minha mente a porta da cabine se abriu.
_Não tenho uma boa notícia...
_O que? -tentei parecer calmo, mas minha voz embargava-
_Não se desespere ok? O piloto está morto e a energia do jato vai cair a qualquer instante.
_COMO ASSIM MORTO?
_Calma, foi a 029.
_Quem?
_Não temos tempo pra desperdiçar, sabe pular de para-quedas?
_Não!
_Que bom, vamos pular de para-quedas.
_Como assim?!
Ela parecia não me ouvir, apenas pegou os dois para-quedas e colocou um deles em mim. Eu estava com medo, e se aquela droga não abrisse?
_Estou com medo 028.
_Não é tão ruim quanto pensa, você vai curtir -pegou na minha mão- provavelmente vamos cair em uma floresta, mas sem área de risco.
_E se o para-quedas não abrir?
_Fui treinada para situações assim, não se preocupe.
Eu mandaria ela esperar, mas ela pulou e me puxou. Comecei a gritar e ela não tinha reação, apenas olhava a paisagem.
_VOCÊ É MALUCA?! NÃO PODE FAZER ISSO COM AS PESSOAS! EU PODERIA MORRER SABIA, SUA LOUCA!
_Se ficar gritando não vai curtir!
Enquanto descíamos eu via o avião cair, era estranho pensar ou lembrar que segundos atrás era lá que eu estava. Chegamos no chão após minutos e eu não conseguia acreditar.
_Caraca, eu pulei de um avião! Isso é legal pra caramba!
_Tudo bem Sr. Diversão, vamos.
_Pra onde vamos?
_Não estamos tão longes de uma cidadezinha, umas oito horas de caminhada talvez...
_Oito horas?! Vamos morrer aqui.
_Calma loiro, não precisa tremer na base. Eu vou achar um lugar para agente dormir, que drama.
Eu estava corando, que vergonha estou passando, estou com medo e uma garota está cuidando de mim. Estou me sentindo covarde.
_Horan, não precisa corar, é normal. Você é novato, não precisa conter o medo, nunca passou por isso, eu já estou acostumada a conversar com a morte.
_Nossa.
Começamos a andar, eu não fazia idéia de quanto tempo, mas parecia muito. Eu a seguia, e estava pensando: como ela consegue andar com esses saltos enormes?; como ela sabe pra onde estamos indo?; porque andar com essas armas? Elas assustam.
Eu me preocupava em fazer algo errado, essa garota pode me matar, e mesmo sendo famoso, ela não tem cara de quem vai deixar rastros.
_Loiro, vamos ficar por aqui.
Era um lugar com o chão de cimento, tinha uma cabana de madeira e no meio lenha pra fogueira.
_Não podemos, alguém mora aqui.
_Loiro, aqui é o lugar onde venho quase sempre. Eu tenho esses chalés há cada duas horas de caminhada, você vai achar outro igual a esse se andar mais um pouco.
_Tudo bem, mas o que vamos comer.
_Isso é de menos.
_Pra você! Eu tenho que comer alguma coisa!
Ela não me ouviu e entrou na cabana e eu fui atrás. A noite se aproximou e deitamos nos sacos de dormir dentro da cabana, ela estava acordada apenas observando a pequena lareira e eu olhava o seu rosto iluminado pela mesma até que me veio uma dúvida.
_028, quem é 029?
_Uma "parceira".
_Porque das aspas?
_É uma história bem complicada...
_Pode me contar?
_Acho que não há problema. Há alguns anos atrás, eu estava em um treinamento da agência, era um treinamento de sobrevivência pura. Eu e mais 30 jovens da agência fomos escolhidos pra entrar no campo de batalha, restariam apenas dois, eu tinha 16 anos na época e era a mais nova, todos achavam que eu seria a primeira a morrer, até eu mesma. Na guerra todos eram violentos e não pensavam antes de simplesmente matar, apenas pensavam em não ser mortos, mas eu sabia que não era esse o motivo de sermos mandados para o campo. Eles queriam ver resistência, eu era a número 28º da lista e a 029, minha prima, não aceitava e até hoje não aceita vir depois de mim por eu ser considerada a fraca da turma. Eu planejava os ataques, porém ela não ligava se morreria, apenas se importava em me ver morta. Meus ataques eram simples e psicológicos, não precisei de nenhum tipo de arma pra matar, eu fazia o psicológico dos caras e eles se matavam. Na fase final restaram eu, meu namorado e minha prima, ela sim teve chance de me matar cara a cara, mas fez um jogo sujo e matou ele, ela sabia que eu sofreria pelo resto da vida sem ele e estava certa. Porém dei a volta por cima até sem querer, pois dos 30 fui a única que planejou os ataques, a única que conseguiu escalar e dormir em uma árvore de cinco metros pra não ser morta, e a melhor em tudo, absolutamente tudo que fiz. Minha prima não aceitou isso, e agora quer me matar. Hoje ela é diretora de uma academia de espionagem aqui por perto.
_Uou -falei- mas ela ja conseguiu te prejudicar alguma vez?
_Sim. Sabe essa tal fã? É minha irmã de seis anos, adotada.
_O que aconteceu?
_Bom, depois que fui premiada como jovem número 1 da agência, 029 se vingou de mim. Quando Demetria, minha irmã, voltava da creche com a babá, minha prima colocou uma bomba na mochila da pequena. Porém quando a bomba foi acionada ela e a babá estavam andando de pressa para atravessar a rua e a mochila da Demetria caiu. Se não fosse por isso eu não teria minha pequena hoje, porém ela não anda, depende de uma cadeira de rodas. Eu nunca recusei nenhum pedido dela, ela te ama, o quarto dela tem pôsteres seus por toda parte, quando ela menciona em você, seus olhos brilham tanto que me fazem sorrir. Por favor não decepcione ela.
_Agora você não está sozinha, tudo que precisar me diz, faço tudo por vocês -sorri e ela deitou porém continuou me olhando-
_Você não me conhece, não é a melhor opção se envolver comigo. Sou uma assassina, olha o que aconteceu com a minha irmã, não quero ser a culpada pela morte ou deficiência de Niall Horan.
_Não me preocupo com isso, me importo com as minhas fãs.
_Eu nunca disse que era sua fã, eu falei sobre a minha irmã -virou pro outro lado-
Aquilo me magoou, tentei ser gentil e olha no que deu. Por que tão fria?
No dia seguinte acordei, olhei para os lados e a encontrei penteando o cabelo.
_Bom dia -falei-
_Temos que ir -falou saindo pela porta-
Passei as mãos no cabelo pra ajeitar e corri atrás dela. Ela andava como se estivesse na passarela e a dúvida de como ela conseguia esse feito martelava em minha mente. Estávamos caminhando quando de repente ela para de andar e fica olhando para os lados com uma cara de desconfiada.
_O que está acontec... -ela pulou em mim tampando a minha boca me fazendo ficar quieto-
Ela me soltou e ouvimos um barulho de alguém pisando em um galho.
_Jason, eu sei que é você.
E depois dessas pronúncias um adolescente saiu de trás de uma árvore, ele tinha cabelos pretos e olhos castanhos claro. Provavelmente era um dos seus colegas de agência pois eles tinham roupas iguais.
_Oi -o garoto falou-
_Jason, o que quer?
_029 sabe que estão aqui.
_E qual o problema? Eu posso circular livremente por aqui, tenho minha licença.
_Mas o seu amigo aí -apontou pra mim- não tem.
_Droga, esqueci desse detalhe!
_Você sabe que temos que prender ele certo?
Me assustei.
_Como assim me prender?!
(SeuNome) "028" POV
Niall foi levado, mas eu não vou deixa-lo na prisão do quartel de 029. Isso mesmo, ela é a diretora daquele lugar. Ja passei por situações que tive que me virar pra sair de uma corrente de baixo do mar, tirar o loiro de lá seria fácil. Esperei a madrugada chegar, o que confesso que demorou a acontecer, então me aproximei da porta eletrônica do quartel. Peguei um aparelho e o grudei na porta fazendo ela se abrir, andei pelos corredores silenciosamente com silicone em baixo dos saltos para amenizar o barulho. Eu sabia localizar cada centímetro daquele lugar de olhos fechados, aprendi a ser sensível a qualquer tipo de movimento, naquele lugar havia vários setores: treinamento, tiro, aulas, diretoria, acampamento, refeitório, enfermaria e o lugar que eu procurava, a prisão. Me aproximei das cela de Niall, e vi que ele estava sentado com o rosto nos joelhos, destranquei a cela silenciosamente com um DNA falso e entrei sem ele ao menos notar minha presença.
Niall POV
Eu realmente tinha fé de que ela apareceria pra me tirar dali, mas as horas se passaram e eu percebi que estava iludindo a mim mesmo com a idéia de que ela viria. A noite chegou e eu não achava sono, me abaixei e fiquei ali, porém me alegrei quando ouvi uma voz, aquela voz, a que eu queria ouvir:
_Horan... Está chorando? -me zoou-
Ouvir ela falar foi tão bom que me levantei e a abracei com força, mas a soltei rapidamente quando percebi o que havia feito, e outra, aquelas armas incomodavam e davam medo.
_Chega de melação -ela falou saindo da cela me obrigando a ir junto-
Começamos a andar depressa porém com cuidado, mas eu estraguei tudo batendo a mão em um vaso que caiu ao chão fazendo com que as luzes de emergência acendessem e apitassem.
_Droga loiro! -disse brava- não saia de trás de mim.
Eu a obedeci. Conforme o caminho ouvia-se os seguranças correndo, até que paramos e encostamos na parede.
_Não se mexa, apenas me siga.
Estávamos andando de vagar quando encontramos um monte de seguranças, no momento pensei que acabaria ali, mas ela virou o jogo. Literalmente.
Estou em um lugar estranho sentado em uma cadeira, um cômodo nojento pra ser mais específico. Simplesmente não faço idéia do que aconteceu, eu só me lembro de ter ido deitado na minha cama ontem a noite e depois aparecer aqui. Ouvi passos firmes e de repente uma garota bonita apareceu na porta, ela usava uma roupa escura e colada com um salto preto.
_Horan, Niall James Horan... -pronunciou com uma voz rouca e perfeita-
_Sou eu.
_Achei que você tinha o sono mais leve, não achei que seria tão fácil te arrastar até aqui.
_Foi você?
_Prazer, agente 028.
_O que você quer de mim?
_Sem perguntas, apenas me siga -se virou pra sair-
_Não vou até me dizer quem é!
_Niall -ela continuava virada- não complique nossas vidas, sou apenas uma assassina. Não vou te matar, apenas se cooperar.
Aquilo me fez tremer por dentro.
_E o que você quer comigo?
_Levar você até uma fã, ela me contratou agora me deixa cumprir o meu trabalho que nós dois saímos bem dessa -começou a andar e eu a segui-
_Você parece aquela moça do filme, a viuva negra.
_Você não é o primeiro a dizer isso.
_Você anda o tempo todo com essa roupa? Essas armas todas não incomodam você andar?
_Dá pra calar a boca?
_Tudo bem.
Andamos, ou melhor subimos pro térreo da casa. Lá tinha um jatinho particular preto.
_Preto é a sua cor favorita?
_Não, os caras como eu são obrigados a usar essa cor mas com o tempo você se acostuma.
_Você pilota?
_Sim, mas eu tenho um piloto.
_Confia nele?
_Não.
_Então porque...
_Para de fazer perguntas! -se irritou-
Entramos no jato e partimos. O jato se mexia demais, nesse tempo de carreira eu nunca passei por nada assim.
_028, o que ta acontecendo, não sou nenhum mestre mas sei que tem algo de errado!
_E realmente tem, eu já volto -se levantou e andou até a cabine do piloto-
Porque ela desfila enquanto anda? E por que eu olhei? Ela faz de propósito ou sou eu? Enquanto as dúvidas inúteis vinham na minha mente a porta da cabine se abriu.
_Não tenho uma boa notícia...
_O que? -tentei parecer calmo, mas minha voz embargava-
_Não se desespere ok? O piloto está morto e a energia do jato vai cair a qualquer instante.
_COMO ASSIM MORTO?
_Calma, foi a 029.
_Quem?
_Não temos tempo pra desperdiçar, sabe pular de para-quedas?
_Não!
_Que bom, vamos pular de para-quedas.
_Como assim?!
Ela parecia não me ouvir, apenas pegou os dois para-quedas e colocou um deles em mim. Eu estava com medo, e se aquela droga não abrisse?
_Estou com medo 028.
_Não é tão ruim quanto pensa, você vai curtir -pegou na minha mão- provavelmente vamos cair em uma floresta, mas sem área de risco.
_E se o para-quedas não abrir?
_Fui treinada para situações assim, não se preocupe.
Eu mandaria ela esperar, mas ela pulou e me puxou. Comecei a gritar e ela não tinha reação, apenas olhava a paisagem.
_VOCÊ É MALUCA?! NÃO PODE FAZER ISSO COM AS PESSOAS! EU PODERIA MORRER SABIA, SUA LOUCA!
_Se ficar gritando não vai curtir!
Enquanto descíamos eu via o avião cair, era estranho pensar ou lembrar que segundos atrás era lá que eu estava. Chegamos no chão após minutos e eu não conseguia acreditar.
_Caraca, eu pulei de um avião! Isso é legal pra caramba!
_Tudo bem Sr. Diversão, vamos.
_Pra onde vamos?
_Não estamos tão longes de uma cidadezinha, umas oito horas de caminhada talvez...
_Oito horas?! Vamos morrer aqui.
_Calma loiro, não precisa tremer na base. Eu vou achar um lugar para agente dormir, que drama.
Eu estava corando, que vergonha estou passando, estou com medo e uma garota está cuidando de mim. Estou me sentindo covarde.
_Horan, não precisa corar, é normal. Você é novato, não precisa conter o medo, nunca passou por isso, eu já estou acostumada a conversar com a morte.
_Nossa.
Começamos a andar, eu não fazia idéia de quanto tempo, mas parecia muito. Eu a seguia, e estava pensando: como ela consegue andar com esses saltos enormes?; como ela sabe pra onde estamos indo?; porque andar com essas armas? Elas assustam.
Eu me preocupava em fazer algo errado, essa garota pode me matar, e mesmo sendo famoso, ela não tem cara de quem vai deixar rastros.
_Loiro, vamos ficar por aqui.
Era um lugar com o chão de cimento, tinha uma cabana de madeira e no meio lenha pra fogueira.
_Não podemos, alguém mora aqui.
_Loiro, aqui é o lugar onde venho quase sempre. Eu tenho esses chalés há cada duas horas de caminhada, você vai achar outro igual a esse se andar mais um pouco.
_Tudo bem, mas o que vamos comer.
_Isso é de menos.
_Pra você! Eu tenho que comer alguma coisa!
Ela não me ouviu e entrou na cabana e eu fui atrás. A noite se aproximou e deitamos nos sacos de dormir dentro da cabana, ela estava acordada apenas observando a pequena lareira e eu olhava o seu rosto iluminado pela mesma até que me veio uma dúvida.
_028, quem é 029?
_Uma "parceira".
_Porque das aspas?
_É uma história bem complicada...
_Pode me contar?
_Acho que não há problema. Há alguns anos atrás, eu estava em um treinamento da agência, era um treinamento de sobrevivência pura. Eu e mais 30 jovens da agência fomos escolhidos pra entrar no campo de batalha, restariam apenas dois, eu tinha 16 anos na época e era a mais nova, todos achavam que eu seria a primeira a morrer, até eu mesma. Na guerra todos eram violentos e não pensavam antes de simplesmente matar, apenas pensavam em não ser mortos, mas eu sabia que não era esse o motivo de sermos mandados para o campo. Eles queriam ver resistência, eu era a número 28º da lista e a 029, minha prima, não aceitava e até hoje não aceita vir depois de mim por eu ser considerada a fraca da turma. Eu planejava os ataques, porém ela não ligava se morreria, apenas se importava em me ver morta. Meus ataques eram simples e psicológicos, não precisei de nenhum tipo de arma pra matar, eu fazia o psicológico dos caras e eles se matavam. Na fase final restaram eu, meu namorado e minha prima, ela sim teve chance de me matar cara a cara, mas fez um jogo sujo e matou ele, ela sabia que eu sofreria pelo resto da vida sem ele e estava certa. Porém dei a volta por cima até sem querer, pois dos 30 fui a única que planejou os ataques, a única que conseguiu escalar e dormir em uma árvore de cinco metros pra não ser morta, e a melhor em tudo, absolutamente tudo que fiz. Minha prima não aceitou isso, e agora quer me matar. Hoje ela é diretora de uma academia de espionagem aqui por perto.
_Uou -falei- mas ela ja conseguiu te prejudicar alguma vez?
_Sim. Sabe essa tal fã? É minha irmã de seis anos, adotada.
_O que aconteceu?
_Bom, depois que fui premiada como jovem número 1 da agência, 029 se vingou de mim. Quando Demetria, minha irmã, voltava da creche com a babá, minha prima colocou uma bomba na mochila da pequena. Porém quando a bomba foi acionada ela e a babá estavam andando de pressa para atravessar a rua e a mochila da Demetria caiu. Se não fosse por isso eu não teria minha pequena hoje, porém ela não anda, depende de uma cadeira de rodas. Eu nunca recusei nenhum pedido dela, ela te ama, o quarto dela tem pôsteres seus por toda parte, quando ela menciona em você, seus olhos brilham tanto que me fazem sorrir. Por favor não decepcione ela.
_Agora você não está sozinha, tudo que precisar me diz, faço tudo por vocês -sorri e ela deitou porém continuou me olhando-
_Você não me conhece, não é a melhor opção se envolver comigo. Sou uma assassina, olha o que aconteceu com a minha irmã, não quero ser a culpada pela morte ou deficiência de Niall Horan.
_Não me preocupo com isso, me importo com as minhas fãs.
_Eu nunca disse que era sua fã, eu falei sobre a minha irmã -virou pro outro lado-
Aquilo me magoou, tentei ser gentil e olha no que deu. Por que tão fria?
No dia seguinte acordei, olhei para os lados e a encontrei penteando o cabelo.
_Bom dia -falei-
_Temos que ir -falou saindo pela porta-
Passei as mãos no cabelo pra ajeitar e corri atrás dela. Ela andava como se estivesse na passarela e a dúvida de como ela conseguia esse feito martelava em minha mente. Estávamos caminhando quando de repente ela para de andar e fica olhando para os lados com uma cara de desconfiada.
_O que está acontec... -ela pulou em mim tampando a minha boca me fazendo ficar quieto-
Ela me soltou e ouvimos um barulho de alguém pisando em um galho.
_Jason, eu sei que é você.
E depois dessas pronúncias um adolescente saiu de trás de uma árvore, ele tinha cabelos pretos e olhos castanhos claro. Provavelmente era um dos seus colegas de agência pois eles tinham roupas iguais.
_Oi -o garoto falou-
_Jason, o que quer?
_029 sabe que estão aqui.
_E qual o problema? Eu posso circular livremente por aqui, tenho minha licença.
_Mas o seu amigo aí -apontou pra mim- não tem.
_Droga, esqueci desse detalhe!
_Você sabe que temos que prender ele certo?
Me assustei.
_Como assim me prender?!
(SeuNome) "028" POV
Niall foi levado, mas eu não vou deixa-lo na prisão do quartel de 029. Isso mesmo, ela é a diretora daquele lugar. Ja passei por situações que tive que me virar pra sair de uma corrente de baixo do mar, tirar o loiro de lá seria fácil. Esperei a madrugada chegar, o que confesso que demorou a acontecer, então me aproximei da porta eletrônica do quartel. Peguei um aparelho e o grudei na porta fazendo ela se abrir, andei pelos corredores silenciosamente com silicone em baixo dos saltos para amenizar o barulho. Eu sabia localizar cada centímetro daquele lugar de olhos fechados, aprendi a ser sensível a qualquer tipo de movimento, naquele lugar havia vários setores: treinamento, tiro, aulas, diretoria, acampamento, refeitório, enfermaria e o lugar que eu procurava, a prisão. Me aproximei das cela de Niall, e vi que ele estava sentado com o rosto nos joelhos, destranquei a cela silenciosamente com um DNA falso e entrei sem ele ao menos notar minha presença.
Niall POV
Eu realmente tinha fé de que ela apareceria pra me tirar dali, mas as horas se passaram e eu percebi que estava iludindo a mim mesmo com a idéia de que ela viria. A noite chegou e eu não achava sono, me abaixei e fiquei ali, porém me alegrei quando ouvi uma voz, aquela voz, a que eu queria ouvir:
_Horan... Está chorando? -me zoou-
Ouvir ela falar foi tão bom que me levantei e a abracei com força, mas a soltei rapidamente quando percebi o que havia feito, e outra, aquelas armas incomodavam e davam medo.
_Chega de melação -ela falou saindo da cela me obrigando a ir junto-
Começamos a andar depressa porém com cuidado, mas eu estraguei tudo batendo a mão em um vaso que caiu ao chão fazendo com que as luzes de emergência acendessem e apitassem.
_Droga loiro! -disse brava- não saia de trás de mim.
Eu a obedeci. Conforme o caminho ouvia-se os seguranças correndo, até que paramos e encostamos na parede.
_Não se mexa, apenas me siga.
Estávamos andando de vagar quando encontramos um monte de seguranças, no momento pensei que acabaria ali, mas ela virou o jogo. Literalmente.
Eu provavelmente devo ter feito uma cara de idiota, ela fez isso com um cara de quase dois metros, sem contar o resto que tentaram me bater mas ela não deixou passar um. Eu não conseguia ter uma reação descente, eu parecia estar sonhando, muito difícil de conseguir acreditar. Quando me dei conta, o corredor estava cheio de caras desmaiados no chão, aquilo foi incrível. Começamos a andar pelo corredor e eu apenas conseguia olhar aqueles armários caídos, foram derrotados por uma garota bem menor que eles. De vez em quando apareciam alguns caras tentando a pegar de surpresa, eu me assustava mas ela sempre resolvia.
Conseguimos chegar lá fora, ela me olhou e perguntou:
_Está tudo certo com você?
_Sim, e me desculpa?
_Pelo que?
_Por tudo. Por nos colocar em encrenca, por te deixar irritada, quebrar o vaso, mas principalmente por te abraçar.
_Tudo bem -abaixou a cabeça- vamos, Demetria deve estar ansiosa.
Começamos a caminhada, a luz do dia ameaçava começar a aparecer, mas continuamos.
Um ótimo tempo depois, que segundo ela, poderia ser meio dia, chegamos na cidade. Era uma cidade simples e desconhecida pelo mapa, mas pelo que 028 disse, fica perto de sua cidade. Ela estava disposta a andar mais quatro horas para chegar até o lugar que sua irmã morava, mas eu sugeri que alugassemos um quarto em uma pequena pousada ali pra descansar e com muito esforço ela aceitou.
Entramos na recepção e encontramos uma senhora.
_Bem vindos -ela falou-
_Queremos um quarto de solteiro -falou 028-
_Querida, só temos quartos de casais. Vocês não são casados, que indecência pedir um quarto só!
_Na verdade -me manifestei- somos casados sim -028 me olhou assustada-
_Mas por que pediram camas de solteiro? -velha curiosa-
_Estamos em crise minha senhora, mas vamos resolver isso juntos não é amor? -olhei e peguei a mão dela, que apenas concordou- pode nos dar a chave?
_Tudo bem...
Subimos a escada de madeira e eu comecei a ter medo da reação dela.
_VOCÊ É MALUCO? NÃO SOMOS CASAD... -tampei a boca dela-
_Não grita, sem escândalo! -cochichei-
_Como ousa tampar a minha boca? -parecia furiosa-
_Perdão, mas eu queria dormir em uma cama! -me virei pra destrancar a porta-
Eu fui muito ousado, ela poderia me dar um tiro enquanto estava de costas, mas não consegui sentir medo.
_Não vou dormir com você!
_Isso é horrível de se ouvir! -virei pra ela- não sabe o quanto dói ser rejeitado por todo mundo? Isso machuca caramba! Mas você não tem sentimentos, é fria demais pra saber o que isso quer dizer.
Ela se silenciou de uma forma... Eu entrei no quarto mas ela continuou lá fora do mesmo jeito, como se estivesse tivesse parada no tempo. Ela abaixou a cabeça e ficou. Eu provavelmente fiquei tão preocupado em dizer o que me machucava que acabei machucando ela. Voltei até ela e a abracei, não sei se era daquilo que ela precisava, mas eu sentia. Mas por um instante aconteceu uma coisa louca e esquisita: ela correspondeu o abraço. O meu coração começou a acelerar muito, estava preocupado com ela e com um peso na consciência.
_Niall, me desculpa -ainda nos abraçavamos e ela encaixou sua cabeça em meu pescoço- um dia você pode entender o motivo de eu ser fria assim.
Aquilo me fazia bem, "segura-la" era bom. Entramos pra dentro do quarto e eu a mandei sentar no sofá.
_Olha, não precisa dormir comigo. Não vou te obrigar, então vou dormir ai -apontei para o sofá- me faz um favor, vai procurar alguma coisa pra comer? Estou com fome...
Ela não disse nada, apenas foi. Sentei no sofá e como de costume, comecei a pensar: não consigo entender como eu não fico apavorado perto dela?; eu provavelmente estaria com muito medo agora; como eu não evito ficar perto dela? É perigoso confiar em pessoas com armas à vista; já estou sentindo a falta dela aqui; será que ela me odeia?; porque não quer dormir comigo?
Eu me perdi nos pensamentos, tanto que nem percebi que ela havia chegado e estava parada ali, me olhando.
_Ah, você chegou! -me levantei- o que trouxe?
_Frutas...
_Frutas? E a carne?
_Loiro, aqui é uma cidade vegetariana, não tem carne.
_Mas eu quero carne.
_Tudo bem -me levou até a janela- ta vendo aquelas vacas ali naquele pasto, então, que tal você ir até elas e pedir carne? -saiu da janela-
_Não precisava ser grossa.
(SeuNome) POV
Fui comprar comida a pedido de Niall, mas por ser uma cidade pequena, não tinha nada além de frutas. Niall não gostou da idéia no início, mas eu dei um jeito.
A noite se aproximou e me deitei na cama observando discretamente Niall tentar se aconchegar no sofá minúsculo, me virei pro lado oposto e dormi.
No meio da noite, acordei desconfortável e não fazia idéia do porque já que o colchão da cama era macio e delicioso. Olhei para o sofá e vi que Niall estava em uma situação crítica: não parava de se mexer, resmungava a todo instante, a cada vez que se mexia seu corpo parecia doer mais, seu travesseiro estava no chão, e ele ficava colocando a mão no pescoço o que avisava que amanheceria com uma bela dor. Me levantei da cama, fui até ele, peguei seu travesseiro, e cheguei mais perto o cutucando para o chamar.
_ Niall... acorda -ele nem parecia ouvir então cheguei mais perto, ou seja, abaixei mais- Loiro, acorda... ACORDA!
Ele virou assustado pra cima quase fazendo eu o beijar mas eu me afastei.
_O que aconteceu? -falou completamente desatinado-
_Vem dormir comigo.
_O que? Mas não era você que estava me rejeitando há algumas horas atrás? -debochou-
_Se quer continuar nesse sofá maravilhosamente confortável, pode ficar - joguei o travesseiro nele e me virei pra voltar pra cama-
_Tudo bem eu vou -pulou do sofá e deitou na cama logo após eu deitar- não me xingue, mas seu cheiro é delicioso -ele me disse e se virou pra dormir-
Ri interiormente e fiquei pensando naquelas palavras até pegar no sono.
Acordei no dia seguinte com um aperto e um peso até confortável em minha cintura. Olhei para trás e percebi que ele me agarrava enquanto dormia como um anjo. Não entendi o motivo, mas mesmo acordada resolvi aproveitar, não é todo dia que se ganha uma atenção dessas, não é todo dia que se fica presa nos braços de um garoto. Depois de uns vinte minutos ali senti que Niall começou a se mexer e acordou, e pelo jeito percebeu o que estava fazendo.
_Oh meu Deus! Perdão! -levantou rápido-
_Pelo que? -me fiz de desentendida-
_Por nada -entrou no banheiro de pressa-
Credo, ele surtou só por me abraçar? Sou tão feia assim? Isso realmente me magoou, eu rejeito ele, e ele da o troco.
Niall POV
No meio da noite ela me chamou pra dormir com ela e eu fui, ela tinha um cheiro muito bom. Antes de dormir, eu estava sentindo uma vontade incontrolável de abraçá-la e beija-la, mas me ajeitei e fui dormir. Quando acordei, senti que estava abraçando algo, e era ela. Me assustei e me levantei rápido pedindo desculpas, eu sabia que não devia e tinha acontecido sem querer. Corri para o banheiro e me tranquei lá, fiquei pensando em todas as coisas loucas que ando sentindo esses dias: vontade de abraçá-la, vontade de beija-la, fico preocupado o tempo inteiro com ela, sinto falta quando ela se afasta, tenho vontade de ajudá-la quando precisar, tenho desejos e desejos. O cheiro dela estava preso em minha roupa, em minha pele e eu estava gostando. De repente me veio um pensamento e entendi absolutamente tudo: estou apaixonado. Droga isso não é bom, ela é esperta vai perceber e eu vou sofrer muito por não ser correspondido. Abri a porta do banheiro e dei de cara com ela ali, ajeitando as roupas. Ela havia tirado uma das blusas que usava e restou apenas uma regata que contornava ainda mais o seu corpo perfeito. Eu tentei ignorar, mas ela parecia fazer de propósito.
_Niall, ta tudo bem? -me olhou curiosa-
_Porque não estaria? -tentei parecer bem-
_Sei lá, sair correndo do nada não parece ser tão normal.
_Mas eu estou bem.
Aquilo estava sendo um momento tenso, eu tentava não falar com ela mas só por isso eu tinha ainda mais vontade. Eu tentava me distrair, mas o seu corpo perfeito não me permitia.
_Niall a gente tem que ir, eu disse que te levaria em até dois dias e hoje já fazem três.
_Tudo bem, mas dessa vez vamos levar comida.
_Tanto faz.
Depois que arrumamos as coisas, fomos embora. Eu não queria ir, não que eu não quisesse conhecer Demetria, mas eu estava preocupado com o que seria de nós quando a missão dela terminasse, era a última chance que eu tinha para a conhecer melhor, eu iria tirar a timidez de lado e perguntar tudo o que me interessa sobre ela.
_028, quero te conhecer melhor.
_Já não me conhece o bastante?
_Não, me conte mais.
_Minha vida é secreta, completamente sigilosa.
_Então eu não vou com você -perei de andar-
_O que? -virou pra mim- Não quero ser obrigada a te fazer desmaiar e te arrastar até lá.
_Você pode até fazer isso, mas não vou ser gentil com a sua irmã -sentei no chão- e se necessário digo a ela que você me bateu -cruzei os braços-
_Niall, você nunca faria isso.
_Então me desmaie e veja a desgraça acontecer!
_Tudo isso porque quer saber mais sobre mim? -não respondi- Tudo bem, levanta dai e eu conto enquanto andamos.
Começamos a andar e ela me perguntou:
_Sobre o que quer saber?
_Tudo.
_Me pergunte e eu respondo, é bem menos complicado.
_Sua mãe, onde está?
_ Ela está trabalhando preocupada em colocar comida na mesa.
_Mas e você? Não tem dinheiro? Não ajuda?
_Tenho, eu ganho bastante pelo que faço, mas minha mãe é daquelas que não gostam de ser sustentada por ninguém.
_Como assim pelo que você faz? O que você faz que ganha tanto?
_Bom, você pode perceber que sou ótima em raptar pessoas.
_Realmente, mas é só isso que faz?
_Não, também sou boa em caçar pessoas, fazê-las confessar coisas sem que queiram, faço ameaças vazias que não são tão vazias assim, sei localizar pessoas com uma só informação, sou uma ótima detetive, e mato quando necessário.
_Mata?
_Sim -falou normalmente-
_Mas e se a pessoa for inocente?
_Eu saberia se fosse.
_Ok. Quantos anos você tem?
_19.
_O QUE? -gritei- você tem 19?
_Sim, porque? Tenho cara de velha?
_Não! É que você como faz tantas coisas imaginei que fosse mais experiente, porém conservada.
_Tudo bem -ela riu, e que riso fofo e engraçado-
_Qual é o seu nome?
_Não acho legal dizer.
_Por favor...
_Não, talvez você surte.
_Qual é, fala?
_(SeuNomeCompleto)...
_O QUE? VOCÊ É A GAROTA USADA COMO INSPIRAÇÃO PRO FILME "PERFEITA MAS PERIGOSA"?!
_Niall, não grita. Que vergonha. EU FALEI QUE VOCÊ IRIA SURTAR!
Bom, pra vocês que não entenderam, "Perfeita Mas Perigosa" é o melhor filme de assassina já inventado na história. No final do filme dizem que foi inspirado em (SeuNomeCompleto) mas ninguém sabia quem era.
_Ai caramba, é o melhor filme que eu já assisti em toda a minha vida!
_Próxima pergunta, eu imploro.
_Tá -respirei fundo me controlando- Porque você é fria com as pessoas?
_ Não posso me apegar em ninguém, eu simplesmente sou uma assassina. É arriscado demais se apegar.
_Mas você é do governo, só mata pessoas ruins. Não é bem uma assassina.
_Matar já te torna um assassino.
_Mas isso não consta na sua ficha.
_Não mesmo.
_Você não pode ter namorado? -que ousadia-
_Posso, mas não quero.
_Porque?
_Porque foi sofrimento demais ver o único que tive morrer.
_Mas aquilo já passou, você tem que ser feliz.
_Não vou conseguir namorar ninguém, tenho desconfiança de todos. E além disso sou estranha, quem iria querer namorar uma assassina?
_Mas você pode achar o amor da sua vida e ser feliz.
_Mas pra isso vou ter que deixar a minha profissão.
_Porque?
_Depois que se casa, não pode arriscar a sua família em missões. E a família precisa da mãe por perto.
_Então você não pensa em se casar?
_Não vou mentir, penso sim.
_É uma ótima sensação não é?
_Sim -sorriu- e você, como imagina?
_Bom, todas as garotas que vieram na minha vida, sempre me faziam sentir inferior, pareciam que eram muito pra mim. Eu nunca achei ELA sabe?
_ELA quem?
_A mulher da minha vida -sorri- na verdade eu a achei, mas ela nem imagina.
_Como sabe que é ELA?
_Sei lá, ela me faz sentir nervoso e arrepiado perto dela.
_Arrepiado? -começou a rir- Você tem certeza que é amor? -riu mais- Parece ser outras coisas...
_Como assim?... -pensei um pouco e comecei a rir também- Nunca levei por esse lado.
_Sua ingenuidade me assusta.
_O que? Eu não penso nessas coisas o tempo inteiro! -rimos-
_Complicado acreditar.
_Mas e você? Se sente "arrepiada"?
_Seria inútil se dissesse que não.
_Por quem?
_Não vou dizer, é constrangedor!
_Tudo bem, essa passa -pensei um pouco e depois comecei a falar denovo- Você não se apaixonou depois daquele cara?
_Já, mas sempre dou um jeito de acabar com tudo.
_Como assim?
_As vezes sou arrogante com ele, ou eu acabo sendo uma chata.
_Você é assim mesmo?
_Não, eu sou como estou sendo agora. E algo me diz que você tá me odiando.
_Na verdade, é pelo contrário. Você é perfeita aasim, desse jeito. É bonita e engraçada...
Ela parou, virou pra trás e ficou me olhando.
_Tá brincando né? Não pode ta falando sério. Loiro, eu sou a garota por quem você está "apaixonado"? -fez aspas-
Aquilo me assustou, agora eu iria me odiar pra sempre por deixar muito a vista.
_O-o-que? -gaguejei sem querer- não. Porque acha isso?
_Você fica me perguntando coisas sobre mim, sobre namoro, fica mandando indiretas. Acha que eu sou burra?
_Ta, ta é você.
_Niall, para.
_Para com o que?
_Ta tentando me fazer gostar de você com esse jeitinho.
_Que jeitinho? -sorri-
_Ah, sei lá, mas para -virou pra frente pra continuar andando-
_Tudo bem -ri-
Era engraçado o seu jeito de ser, ela poderia ser uma assassina, mas com certeza era fofa. Eu achei que ela reagiria de uma forma ruim, mas não foi o que eu esperava.
_Sabe loiro, pelo menos você apenas gosta de mim, não me ama. Vai me esquecer rápido.
Não poderia falar nada, eu ainda estava começando a definir se estava gostando ou amando.
_(SeuNome), estamos chegando? -mudei de assunto-
_Sim, estamos há cinco minutos de um ponto de taxi.
Não sei se foram exatos, mas chegamos em cinco minutos no tal ponto de taxi. Sinalizamos e entramos no taxi dando o endereço.
Pela animação de (SeuNome) estávamos perto de sua casa, eu estava com medo do que viria depois, de como nós dois ficaríamos.
O taxi parou em uma casa antiga porém conservada no meio de uma cidadezinha. Ela desceu do taxi e parou em frente a tal porta e depois me olhou. Fiz o mesmo e parei ao seu lado esperando a mesma bater ou abrir a porta.
_Por favor, seja o melhor que você já foi, ela te ama mesmo -me falou e abriu a porta-
Entramos em uma grande sala, tudo na casa era grande, desde os cômodos até as portas.
_Porque tudo aqui é largo? -perguntei -
_Ela é uma criança, precisa de espaço e a cadeira também.
Continuamos e eu já ouvia uma criança falar. Chegamos na porta de um quarto, ela ainda não havia percebido. Era uma garota baixinha, cabelos pretos e enormes e olhos redondos. Ela falava sozinha com a boneca, coisas como "você me ama?" "é uma das únicas" "eu também te amo" "vamos ser melhores amigas, nunca tive uma melhor amiga". (SeuNome) me fez um sinal para que eu entrasse no quarto sozinho e assim eu fiz, cheguei atrás dela e pronunciei:
_Eu posso ser seu melhor amigo.
Ela se virou com a cadeira e me olhou com os olhos brilhantes, eram iguais aos de (SeuNome), o que me surpreendia já que ela era adotada.
_Ni-Niall? -ficou surpresa-
_Oi, tudo bom com essa princesa? -abaixei e a abracei-
_Estou muito bem agora -senti que ela sorria-
_Eu te amo, e sua irmã também. Não precisa pedir a uma boneca pra te amar, estamos aqui -a soltei daquele longo abraço-
_Mas me sinto só as vezes... -abaixou a cabeça-
_Sua irmã sempre está aqui quando você precisa.
_É que não consigo me acostumar com a idéia de que ela pode morrer.
_Ela não morre, acredite -falei e olhei pra (SeuNome)- Vem aqui curtir com a gente -pedi a ela-
Ela andou até nós e se sentou no chão ao meu lado.
_Tira essas armas (SeuApelido), você nos assusta com isso -pediu Demetria-
_Espere, vou me trocar -se levantou e saiu-
_Então Demetria, o que quer fazer?
_Não sei, o que podemos fazer?
_Não sou bom com essas coisas...
_Vamos pedir pra (SeuNome), ela sempre tem idéias.
Fomos a chamar em seu quarto, batemos e entramos. Encontrei uma garota totalmente diferente da qual saiu. Eu sinceramente não conseguia parar de olhá-la, estava perfeita. A roupa ainda era preta, mas continuava linda.
_Niall, não precisa babar -Demetria disse e depois riu- fala logo Niall.
_O que? -me despertei- Hum... (SeuNome) pode nos ajudar?
_Com o que?
_A gente não tem o que fazer, que tal uma dica?
_Podem brincar de tiro d'água, as armas estão no armário.
_Ok, vou pegar -Demetria disse e saiu-
_Brinca com a gente -pedi-
_Seria covardia da minha parte, a brincadeira perderia a graça.
_Porque?
_Minha experiência com armas, não seria justo.
_Por favor, é só fingir que somos melhores que você -rimos-
_Tá.
Saímos até o grande quintal de fundo e logo depois Demetria chegou. Começamos o tal jogo, Demetria podia estar em uma cadeira de rodas mas era rápida e ágil, me dava um pouco de medo às vezes mas nada além de (SeuNome). Eu parecia sobrar naquele "campo", o pior atirador de todos os tempos. Só não atiraram em mim tão cedo provavelmente por dó de um louco correndo estranhamente pelo quintal. Quando acabamos o jogo, fomos comer algo, ja era noite. Na mesa Demetria não deixava de me olhar o que me incomodava profundamente.
_Demetria, não quero ser chato, mas qual o motivo de me olhar dessa forma?
_Você teve uma boa viagem? -me questionou-
_Bom... -olhei pra (SeuNome)- foi uma experiência nova e um pouco assustadora. Mas nada que não tenha superado.
_(SeuNome) te tratou bem?
_No começo, se irritou um pouco mas acho que ela já se acostumou.
Eu iria e queria passar um bom tempo ali, com elas mas na tarde do dia seguinte eu teria de ir embora. Depois do nosso longo lanche fomos à sala conversar um pouco sobre nossas vidas.
_Demetria -eu a chamei- do que tem medo?
_De perder minha irmã -ela olhou pra (SeuNome) e riu fraco-
_E você (SeuNome)? -me voltei a ela-
_Eu não tenho medo de nada!
_Qual é?! Todo mundo tem algum medo!
_Menos eu!
_Ela tem um medo. -Demetria se manifestou- Se apaixonar.
_Chega, não quero mais brincar -(SeuNome) se levantou e foi pra algum lugar-
Eu e Demetria ficamos um pouco confusos.
_Eu disse o que não deveria? -a pequena me perguntou-
_Não, mas ela obviamente ficou alterada.
_Niall, eu vou dormir. Me faz um favor?
_Claro, qual?
_Resolve isso com ela -disse e saiu em direção à seu quarto-
Eu estava em uma possível enrascada, não saberia como resolver aquilo, mas tentar não custa. Fui até a direção que vi (SeuNome) ir. Era uma sacada, ela estava sentada em uma cadeira com os cotovelos nos joelhos, e com suas mãos no rosto. Não parecia bem, parecia estar... chorando.
_Hei -a chamei e ela se assustou-
_Niall sai daqui! -disse se virando pro outro lado na tentativa falha de conseguir esconder seu rosto molhado por lágrimas-
_Não, eu vou ficar -peguei uma cadeira e a coloquei do lado da sua-
_Sai! Eu não preciso que ninguém tenha pena de mim!
_E de alguém que te ame? Precisa? -não obtive resposta- Todo mundo precisa.
_Eu não sou todo mundo!
_Realmente, pois "todo mundo" não me conquistaria simplesmente por me ignorar, ou por me xingar. Você não é qualquer uma.
_Niall, para de me agradar. Você é daqueles caras que agradam o ouvido e depois sai fora.
_Você não me conhece tanto quanto pensa.
_Não mas o que vivi com você já foi o bastante.
_Se realmente fosse o bastante você não estaria pensando isso de mim. Eu realmente gosto de você.
_Entenda, eu não sinto o mesmo.
Aquilo doeu na alma, no coração. Eu queria sair dali, mas a felicidade dela me importava muito mais.
_Eu quero te ver feliz, você não está entendendo. Não precisa ser feliz comigo, apenas feliz. Sem o "comigo".
_Você tá falando sério? -se virou pra mim-
_Sim, a sua felicidade me importa. Independente de como.
_Não, você não é real. Impossível.
_Porque?
_Ninguém quer ver a felicidade de qualquer uma que encontra por aí.
_Você não é "qualquer uma".
_Niall, porque eu? Porque me escolheu pra ser ELA.
_Eu não te escolhi, simplesmente aconteceu. E quando você encontrar o seu ELE, vai saber.
_Mas como pode ser possível eu ser a sua ELA e você não ser o meu ELE?
_Eu não sei... -paramos por um instante- porque estava chorando?
_Sinto falta dele. Ele era tudo pra mim -as lágrimas que antes havia cessado, voltaram a cair-
_Tudo tem um motivo, nada é por acaso.
_Mas eu o amava.
_E ele... te amava da mesma forma?
_Como assim?
_Se importava com você como você se importava com ele?
_Bom... não. Ele não gostava de me abraçar ou de me beijar em público. E era o que eu mais queria, mostrar pro mundo que ele era meu.
_Me perdoe, mas ele não te amava.
_Como assim? Claro que amava.
_Alguma vez você já mencionou em casamento com ele?
_Sim.
_Ele mudou de assunto não é? Se ele realmente gostasse de você, não se importaria tanto. Alguns caras fogem do assunto por vergonha, mas outros por desinteresse.
_Niall... -ela olhou para mim- eu passei esse tempo todo pensando em alguém que não me amava! Eu sou uma BURRA! -se levantou e foi se encostar na beira da sacada- uma burra! -abaixou a cabeça e ficou-
Eu não gostava de vê-la daquele jeito, me doía, incomodava. Me levantei da cadeira e fui até ela, peguei em seu braço e a abracei. Eu não sei se a faria bem, mas eu tentaria passar todo o meu sentimento a ela. Uma coisa me surpreendeu pela segunda vez, ela correspondeu. Daquela vez eu ainda achava que não aconteceria denovo nem em sonho, mas estamos aqui. O abraço durou mais do que eu pensava, eu estava adorando e parecia que meu corpo inteiro estava em choque. Depois do abraço, dei um beijo em sua testa e a mandei dormir.
Passei a noite no quarto de hóspedes e dormi muito bem obrigado.
No dia seguinte me levantei e elas estavam na sala, quando me viram falaram juntamente um "Bom dia" e sorriram.
_Bom dia -falei- como passaram a noite? -perguntei direcionando a pergunta mais à (SeuNome)-
_Bem -responderam as duas em coro-
_Ótimo. O que faremos hoje?
_Como está chovendo, eu e (SeuNome) resolvemos que assistir um filme está ótimo.
_Pequena, não deixei de notar seu sotaque perfeito. De onde é?
_Da velha Londres.
_Belas palavras. E você (SeuNome)? Não deixei de notar que o seu jeito de falar não se igualou ao nosso. De onde vem?
_Brasil, grande Brasil.
_Como veio parar aqui? -a olhei confuso-
_Fui recrutada esqueceu?
_Achei que tinha sido recrutada com 16 anos.
_Eles me vigiavam desde criança. Segundo eles eu era uma... criança anormal.
_Não largou o sotaque depois de três anos e meio?
_Na verdade são seis. Quando adotamos Demetria já morávamos aqui e ela tinha um ano.
_Tudo bem... vamos ao filme.
Resolvemos que assistiriamos "Casa Comigo?". Era um filme sobre uma mulher que viajou até a Irlanda pra pedir o namorado em casamento no dia 29 de fevereiro, ano bissexto, onde o homem é obrigado a aceitar.
_Niall, você é de lá né?
_Sim.
_Isso é verdade?
_É -ri-
_Hm...
_Porque a pergunta (SeuNome)? -Demetria perguntou- Quer fazer uma surpresinha pro Niall ano que vem? -riu-
_Claro -pareceu irônica- Vamos nos casar e ter sete filhos.
_SETE? -gritou a pequena- CORAJOSA ESSA! -riu-
(SeuNome)
Niall parecia ter medo de se manifestar e falar algo em frente de Demi que não fosse apropriado. Percebi que ele queria, mas o impedi antes que a coragem atacasse o mesmo.
_Nem tente Niall, se disser alguma coisa eu te mato.
Ele riu como se eu estivesse brincando. E eu estava. Ou não.
Assistimos mais alguns filmes e quando notei, eram cinco da tarde. Niall teria que voltar.
Uma coisa que eu não imaginava admitir a mim mesma era que existia uma hipótese de eu sentir MUITA falta desse garoto. Eu preferia acreditar que estava sonhando ou que o meu ser interior estava me pregando uma peça por estar sentindo isso.
Saudades. Um sentimento que nunca imaginei sentir por ele, o cara que conseguia me irritar com apenas perguntas idiotas, e que por algum motivo, consegue chegar ao meu coração, que até então eu jurava ser de pedra, e me tocar com palavras simples que confortam o meu dia.
Niall e eu já estávamos prontos para sair, obviamente ele pegaria um vôo direto para a cidade dele. Estávamos no aeroporto sentados esperando o vôo ser chamado, quando Niall me pergunta:
_Qual é a necessidade dessas roupas pretas mesmo?
_Só estou usando por ser de costume Niall. Não estou a trabalho.
_Ok.
_Porque quer que eu fique com você? Eu poderia apenas te deixar no aeroporto e voltar pra casa.
_Só quero passar meus últimos minutos aqui com você.
_Já conversamos sobre isso, só vai ser mais doloroso pra você...
_E pra você também. Eu sei que vai sentir minha falta e aliás, você está aqui por vontade própria pois se não quisesse iria embora. Eu te conheço bem.
_Nada a ver -cruzei os braços e virei pro lado oposto-
Niall riu e continuou olhando o painel de vôos.
O vôo dele foi chamado e nos levantamos. Niall insistiu em me abraçar, e pra não chatear eu retribui. Estávamos ali há tempos, o vôo dele estava sendo chamado pela última vez.
_Niall, chega -tentei me soltar- você vai perder o vôo! NIALL! -ele me soltou-
_Perdão -foi indo para a porta de entrada-
Dei as costas e estava indo embora, mas ouço ele gritar meu apelido.
_(SEUAPELIDO)! EU TE AMO -disse e voltou a entrar na porta para embarcar-
Ele se foi e eu fiquei estática apenas absorvendo aquelas palavrinhas. "EU TE AMO". Não paravam de ecoar na minha mente. O que me surpreendia era que alguém além da minha irmã me amava, me respeitava pelo que eu era. E o que me assustava ainda mais era que aquelas palavras vindo dele não me deixavam com raiva. Voltei pra casa, encontrei minha mãe sentada no sofá. Ignorei completamente a presença da mesma e me sentei espatifadamente no sofá.
_Não tem mais respeito comigo? -ela me repreendeu-
_Perdão mãe, tudo bem? -chacoalhei a cabeça e tentei parar de me distrair-
_Agora tudo, mas o que aconteceu com a "garota inabalável"?
_Sei lá, tô confusa.
Antes de minha mãe me perguntar o porque do motivo, Demi chegou.
_Ele disse o que eu sei que disse? -Demi disse e sorriu maroto-
_Como você sabe?
_Eu quem o encorajei -fez ar de triunfo-
_Porque obrigou ele fazer isso?
_(SeuNome), chega de enrolação. Sabemos que a essa hora ele está pensando em você, mas como você é "durona", só vai chorar por ele à noite.
_Demi, para -abaixei a cabeça-
_(SeuApelido), você sabe que eu não estou fazendo isso pra te magoar.
Demetria POV
Ele se levantou do sofá e foi para seu quarto. Minha mãe ficou sem entender nada.
_O que foi isso Demetria? Quem é esse cara de quem vocês estavam falando?
_É aquele garoto da banda que eu gosto lembra?
_Aquele que a (SeuNome) trouxe? Sei.
_Então, os dois se apaixonaram.
_Espera... (SeuNome) se apaixonou... por alguém?
_É! -gritei-
_Ai meu Deus -começou a pular mas depois se acalmou- filha você tem noção do que isso significa pra mim?
_Não muito -a olhei confusa-
_Eu nunca achei que ela fosse ser feliz de verdade com alguém, e agora que ela está realmente apaixonada acho importante apoiá-la.
_Mãe, mas a senhora sabe que ela nunca confia em nós pra coisas desse tipo.
_Você sabe que isso não é problema pra nós...
Continua...
Perfeito !
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